Tomamos
decisões todos os dias, a todo momento. Café? Açúcar ou adoçante? Mas algumas decisões
não são tão simples assim de serem tomadas.
Por muitas
vezes nem mesmo enxergamos que temos que tomar a decisão.
Precisamos
de um "start", algo que nos faça acordar, comigo foi assim...
Infância magra, adolescência dentro dos padrões “normais”, mas
carregando uma genética poderosa, já na fase adulta começaram os problemas com a
balança.
Vida ativa com esporte e muita correria com os estudos, mas ao final do colégio
parei com tudo, a realidade batia a minha porta, minha família com dificuldades
financeiras e eu as margens de completar 18 anos, tinha que trabalhar, tinha
que arrumar um emprego e foi o que fiz.
E exatamente em 1995 começou minha vida sedentária, de casa para o
trabalho, de trabalho para casa, almoço fora de casa todos os dias, sem muito
critério na escolha dos alimentos, alguns anos se passaram nessa rotina, e
enfim em 2000 comecei a faculdade, a rotina ficou ainda mais pesada e a
alimentação muito mais prejudicada.
Os quilos a mais começaram a se acentuar e as dietas começavam a fazer
parte da minha vida, acho que devo ter feito todas as já divulgadas até hoje,
ah! Os inícios e desistências das academias também.
Casei-me em 2005, e a essa altura já acumulava muitos quilos acima do
peso, em uma atitude de desespero resolvi fazer uma dieta drástica para entrar
no vestido, fiz uma consulta a um endocrinologista onde consegui uma receita de
mais um remedinho milagroso, e associado a isso adotei algumas dietas ou parte
delas que para ao objetivo deu certo, no dia do meu casamento estava 15 kg mais
magra, mas mesmo assim continuava acima do peso.
Mais três anos se passaram e meu IMC indicava obesidade grau 2, então
iniciei algo novo para mim o Vigilantes do Peso, ao final de 12 semanas do
programa havia emagrecido 11 kg, estava animada, e foi exatamente quando
engravidei.
Durante a gestação ganhei 12 kg, que não perdi mais, quase quatro anos
após o parto já ganhei mais quilos e meu IMC indica obesidade mórbida.
Depois de muita luta com a balança com minhas vontades e compulsões,
pesando 120 kg, decidi fazer cirurgia bariátrica, após uma consulta que para
mim seria rotina por conta de dor e queimação no estômago, consulta essa que
quase perdi por não me lembrar com qual medico da lista dos disponíveis pelo
convenio seria a consulta, já no Hospital conheci o Dr. Otávio.
Depois de me ouvir, me receitar um remédio e pedir uma endoscopia, ele me
questionou sobre o meu peso, o que me surpreendeu muito na hora, fiquei sem
graça e contei a ele que naquele mesmo dia pela manhã fui a uma consulta no
endocrinologista e que iria começar uma nova dieta.
Conversamos mais sobre o assunto e ele me sugeriu a cirurgia, eu fiquei
assustada, o argumentei que não tinha peso suficiente e após subir na balança e
uma consulta a calculadora, veio o inevitável, IMC de 41,5 obesidade mórbida.
Mesmo assim achava que não era para mim, “imagina!” e pensei "eu
cheguei ao ponto de precisar de cirurgia???". Pois é eu não tinha me dado
conta... Saí do hospital atordoada. "Que absurdo! É claro que consigo
emagrecer sozinha!".
Fui para a casa da minha mãe, já era hora do almoço, cheguei e comi,
comi um prato de pedreiro, como dizem por ai. Contei para os meus pais sobre a
consulta e me perguntava: “Será que o Dr Otávio foi o único que teve coragem
para me falar a verdade?” foi então que meu pai me disse: “ele foi o único que
te falou a verdade, não temos coragem para te falar que você esta muito acima
do peso”.
Sai de lá mais calma, mas cheias de duvidas e conflitos e com a certeza
de que eu não conseguia sozinha.
Pesquisei bastante, vi vídeos, li depoimentos, conversei com pessoas que
fizeram a cirurgia e todos em unanimidade me falaram: “se soubessem dos benefícios
teriam feito a cirurgia antes”.
Estava tomada a decisão!